Olá, meninas e Grandes Mulheres.
Para mim, lançar o site é mais do que uma etapa concluída na minha vida (a famigerada entrega do TCC), é saber que finalmente encontrei um caminho certo a seguir.
Antes de entrar na faculdade de jornalismo tinha dificuldade em focar meus objetivos, isso quando sabia quais eram. Assim que ingressei na universidade vi que podia fazer a diferença com a profissão que escolhi.
Durante dois ou três anos do curso lutei contra dois gostos aparentemente contrários: a paixão pela moda e a vontade de mudar o mundo como jornalista. Um conflito interno muito grande tomou conta de mim nesse período. Fiz trabalhos voluntários, iniciei um jornal em uma comunidade carente de Bauru ao mesmo tempo em que me envolvia em um curso de Moda e Estilo. Não foi fácil manter a perspectiva de um mundo melhor vendo tantas injustiças sociais, vendo tantas discriminações e preconceitos. Com o jornalismo social, pude ajudar na transmissão de informação e na produção de conhecimento, mas incomodava-me o fato de estar inserida em um universo de exclusão, o mundo da moda. Eram duas realidades que não se encaixavam. Até então.
Hoje, vejo que me faltava um olhar mais analítico, mais crítico. Os quatro anos me ajudaram a compreender qual seria meu papel como jornalista: mostrar que o estar na moda não é simplesmente seguir o que as modelos usam nas passarelas ou comprar a calça mais cara de uma grife. Estar na moda é sentir-se bem e feliz com o que veste e usa.
Sim, realmente existe um padrão de beleza, uma indústria suja e preconceituosa. Mas a moda é mais do que isso. A moda é história, é evolução, é democracia e universalidade. Nela, há espaço para brancos, negros, índios, magros e até gordinhos. Os padrões existem em qualquer época. Se não estamos felizes com o que é imposto, temos que abrir discussões, levantar questões e levantar a nossa bandeira.
No último sábado fui a uma palestra com a senadora e pré-candidata à presidência Marina Silva. Desconsiderando o contexto no qual foram ditas, duas coisas tocaram-me em seu discurso. A primeira diz respeito aos sonhos. Parafraseando Marina, muitos podem nos achar utópicas, quixotescas ao querer ir contra a maré, ir contra um padrão imposto pela grande mídia, pela sociedade; mas, assim como a ex-ministra, acredito que são os sonhos que nos fornecem ferramentas para o alcance da realidade que queremos – e muitas vezes conseguimos.
A outra questão tem relação com a luta pelo objetivo. “A minha diferença para Dom Quixote é que enquanto ele lutava com moinhos de vento pensando que fossem gigantes, eu luto contra gigantes imaginando que são moinhos de vento”. É assim que o Grandes Mulheres encara esse desafio. E é isso que eu pretendo passar para vocês a partir de agora. Bem-vindas ao Grandes Mulheres.
Beijos e até mais,
Pâmela Nunes